Ensino fora da sala: o que a ciência diz sobre aprender
Reportagem da Ciência & Cultura mostra como museus, rios e praças ampliam a aprendizagem científica de crianças e jovens quando há mediação pedagógica.
Uma criança que já tocou a água de um igarapé entende rio de um jeito que nenhum slide explica. Uma reportagem da revista Ciência & Cultura, publicada em 8 de julho, reúne pesquisas sobre ensino de ciências em espaços fora da sala de aula: museus, praças, zoológicos, comunidades indígenas e ribeirinhas. Espaço não formal de aprendizagem é um ambiente fora do sistema escolar tradicional onde o conhecimento científico pode ser construído em diálogo com a realidade vivida pelos estudantes. Se você pesquisa ensino de ciências, divulgação científica ou educação básica, essa reportagem toca direto no seu tema.
O que a reportagem mostra
A fonte é Ivanise Maria Rizzatti, professora da Universidade Estadual de Roraima (UERR) e da Universidade Federal de Roraima (UFRR), que estuda ensino de ciências e formação de professores na Amazônia Legal. Seu grupo já pesquisou em praças públicas, num rio e num igarapé, num museu integrado, num zoológico, em centros comunitários e em áreas dentro de comunidades indígenas e ribeirinhas.
O ponto central da fala dela não é o espaço em si. É o planejamento pedagógico que transforma passeio em aprendizagem. Rizzatti é direta: o professor precisa “compreender e conhecer aquele espaço” para relacioná-lo ao componente curricular que está sendo ensinado. Sem essa mediação, o espaço não cumpre, por si só, a função pedagógica que a pesquisadora descreve.
Por que isso importa pra você
Se você pesquisa educação, ensino de ciências ou atua em divulgação científica, essa reportagem aponta um recorte pouco explorado: o espaço não formal como objeto de pesquisa empírica, não como ilustração de tese.
- Se você estuda ensino de ciências, vale checar se o seu recorte metodológico já considera o papel do professor como mediador, e não só o espaço em si.
- Se você faz divulgação científica, o recorte territorial dela (comunidades indígenas, ribeirinhas, áreas de preservação na Amazônia Legal) é uma lente que vale comparar com o que você já leu sobre o tema fora desse território.
- Se você está desenhando um projeto de extensão, a reportagem nomeia o obstáculo real: não é falta de espaço, é falta de financiamento estruturado para usá-lo.

O gargalo que a política pública ainda não resolve
Rizzatti reconhece o programa Mais Ciência na Escola, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, como avanço real: ele implanta laboratórios maker em escolas públicas e oferece bolsas a estudantes e professores. Mas ela marca uma diferença que interessa a quem pesquisa política científica: laboratório dentro da escola é uma coisa, espaço não formal fora dela é outra, e a segunda ainda não tem financiamento dedicado.
Isso não é detalhe burocrático. É a diferença entre uma política que equipa a escola e uma política que reconhece o rio, a praça e o museu como parte legítima do currículo. Rizzatti defende políticas específicas para essa segunda frente, justamente porque, sem reconhecimento institucional, o acesso a esses espaços fica sujeito à falta de políticas específicas de financiamento, segundo a pesquisadora.
Próximos passos
Se esse recorte te interessa, vale organizar a leitura assim:
- Leia a reportagem completa na Ciência & Cultura para mapear os outros espaços citados (museu integrado, zoológico, comunidades indígenas).
- Se você orienta ou está sendo orientada em ensino de ciências, verifique se o seu referencial teórico já dialoga com educação não formal, ou se esse é um gap a explorar.
- Se seu projeto toca extensão universitária, procure saber se existe programa institucional (como o Mais Ciência na Escola) ativo na sua região antes de desenhar uma proposta do zero.
Espaços de aprendizagem fora da academia também aparecem em outras frentes da ciência brasileira. Vale ver como isso se conecta com SBPC premia divulgação científica no TikTok: conheça os 9, sobre reconhecimento de quem leva ciência para fora do ambiente acadêmico tradicional.
Fonte: No meio do caminho tinha um aprendizado, Jornal da Ciência / SBPC
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Perguntas frequentes
O que são espaços não formais de aprendizagem?
Levar aula para fora da escola funciona sem planejamento do professor?
Existe política pública brasileira para ensino em espaços não formais?
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