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SBPC premia divulgação científica no TikTok: conheça os 9

Primeira edição do Prêmio SBPC-TikTok teve 70 inscrições e 31 semifinalistas. Veja quem venceu e por que isso importa pra quem pesquisa e ainda não posta.

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A SBPC recebeu 70 inscrições para um prêmio que não existia até este ano. Não é um número grande se você compara com o tamanho da comunidade científica brasileira, mas é revelador: existe gente pesquisando e, ao mesmo tempo, gravando vídeo pra TikTok, e ninguém tinha dado nome oficial pra isso ainda.

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Em junho, a SBPC anunciou os vencedores da primeira edição do Prêmio SBPC-TikTok de Divulgação Científica, criado em parceria com o TikTok Brasil. O Prêmio SBPC-TikTok é uma premiação que reconhece perfis de divulgação científica na plataforma, dividida em três categorias: Melhor Divulgação Científica Institucional, Melhor Perfil de Divulgação Científica e Revelação da Divulgação Científica. Se você já pensou em fazer conteúdo sobre a sua pesquisa e recuou por achar que isso não “conta” pra nada na carreira, esse anúncio é um dado a mais pra você repensar essa conta.

O que aconteceu

A premiação nasceu de uma frase. Ao assumir a presidência da SBPC, Francilene Garcia disse ao UOL que a ciência deve estar no TikTok. Essa declaração, segundo o vice-presidente da entidade, Aldo Zarbin, foi o que mobilizou a aproximação entre a SBPC e a plataforma até a criação do prêmio.

O processo teve duas etapas: avaliação de uma comissão de cientistas e divulgadores, e votação popular baseada no engajamento dos vídeos publicados pelos semifinalistas no perfil da SBPC no TikTok. Foram 70 candidaturas válidas, que resultaram em 31 semifinalistas, com 393.970 visualizações e mais de 27,5 mil curtidas e comentários somados nos vídeos de apresentação.

Os nove vencedores:

  1. Institucional: Museu Paraense Emílio Goeldi (1º), UFC Informa (2º), Museu da Vida Fiocruz (3º)
  2. Perfil consolidado: Antonio Miranda (1º), Deusa Cientista (2º), Minuto da Terra (3º)
  3. Revelação: Daniel Dahis (1º), Rafael Kraisch (2º), Bia Biology (3º)

Zarbin destacou a diversidade dos finalistas: regional, de temas, de gênero e de maturidade de carreira. Não é um detalhe cosmético. É o retrato de quem, hoje, faz divulgação científica no Brasil: de museu centenário a mestranda gravando com o celular.

Por que isso importa pra você

O dado que mais chama atenção aqui não é quem ganhou. É quem estava na disputa. Rafael Kraisch é doutorando em Neurociências pela UFSC. Bia, da Bia Biology, é mestranda em Biologia Marinha. Kananda Eller, a Deusa Cientista, é mestra em Ensino de Ciências Ambientais pela USP. Ou seja: pessoas no meio da pós-graduação, competindo (e vencendo) num prêmio nacional por um trabalho que a matéria nem menciona como parte da rotina acadêmica delas.

Se você está na pós agora, isso toca diretamente no seu cálculo de tempo:

Se você está cursando o mestrado ou doutorado

  • Divulgação não substitui publicação, mas já tem selo institucional de reconhecimento formal
  • Um perfil consistente pode virar portfólio pra editais, prêmios e até processos seletivos que valorizam extensão
  • O risco não é fazer divulgação. É fazer sem critério e virar simplificação vazia

Se você orienta ou coordena um grupo de pesquisa

  • Vale abrir espaço pra que orientandos testem esse formato sem culpa por “tempo desviado”
  • Grupos e laboratórios também competem: a categoria institucional prova que museu, universidade e fundação entram na disputa

Se você ainda não decidiu se vale o esforço

  • Pergunte: existe alguém na sua área fazendo isso bem, que você poderia seguir como referência de tom e rigor?
  • O prêmio não recompensa quem posta mais. Recompensa quem combina linguagem acessível com fato correto
Editor Acadêmico: você escreve e a norma se aplica sozinha. Crie sua conta grátis.

O ponto que me faz hesitar em aplaudir sem ressalva

Fico feliz que exista o prêmio. E, ao mesmo tempo, não consigo deixar de notar que ele é sintoma de um problema mais antigo: a avaliação da pós-graduação brasileira, na minha experiência, ainda mede muito mais publicação do que qualquer coisa que aconteça fora do artigo. Um prêmio de uma sociedade científica em parceria com uma plataforma privada preenche um vazio que a régua oficial de avaliação deveria ter preenchido primeiro.

Isso não desmerece quem ganhou. Zarbin descreveu bem o que está em jogo: “a divulgação científica que você faz é uma divulgação bem-feita, uma divulgação correta e que atinge os objetivos principais da divulgação científica, que é informar com uma linguagem acessível e sem deturpar os fatos.” É exatamente esse equilíbrio, entre acessibilidade e rigor, que separa divulgação boa de simplificação irresponsável, e é ele que deveria estar em qualquer critério de avaliação acadêmica, não só num prêmio.

Não significa que você precisa virar criador de conteúdo esta semana. Significa que vale parar de tratar divulgação científica como hobby que rouba tempo da tese. Pra mim, ela já é currículo, com ou sem reconhecimento formal dos programas de pós-graduação.

Próximos passos

  1. Assista a alguns vídeos dos vencedores (Antonio Miranda, Daniel Dahis, Rafael Kraisch) pra entender o tom que combina rigor com linguagem acessível
  2. Se você pesquisa algo que dá pra explicar em 60 segundos, escreva um roteiro curto e teste, sem pressão de virar rotina
  3. Converse com sua orientadora sobre se divulgação científica entra, de alguma forma, no relatório de atividades do seu programa
  4. Acompanhe a 78ª Reunião Anual da SBPC, entre 26 de julho e 1º de agosto na UFF, em Niterói: os vencedores das categorias Revelação e Melhor Perfil participam de um treinamento com o TikTok Brasil no evento

Se esse assunto te interessa, tem um post que aprofunda a diferença entre divulgar com responsabilidade e simplificar até distorcer o fato: Divulgação científica não é simplificação: é responsabilidade.

Fonte: Conheça os vencedores da primeira edição do Prêmio SBPC-TikTok de Divulgação Científica, Jornal da Ciência

Perguntas frequentes

O que é o Prêmio SBPC-TikTok de Divulgação Científica?
É uma premiação criada pela SBPC em parceria com o TikTok Brasil para reconhecer conteúdo científico de qualidade na plataforma. Tem três categorias: Melhor Divulgação Científica Institucional, Melhor Perfil de Divulgação Científica e Revelação da Divulgação Científica. A primeira edição teve 70 inscrições e 31 semifinalistas.
Quem ganhou o Prêmio SBPC-TikTok em 2026?
Na categoria institucional, o Museu Paraense Emílio Goeldi ficou em primeiro, seguido pelo UFC Informa e pelo Museu da Vida Fiocruz. Entre os perfis consolidados, venceu Antonio Miranda, com Deusa Cientista e Minuto da Terra em segundo e terceiro. Na categoria Revelação, o primeiro lugar foi Daniel Dahis, seguido por Rafael Kraisch e Bia Biology.
Vale a pena um pesquisador investir tempo em divulgação científica nas redes?
Depende do que você quer construir. Prêmios como este mostram que existe reconhecimento formal crescendo em torno disso, e alguns vencedores são pesquisadores em formação, como um doutorando em Neurociências e uma mestranda em Biologia Marinha. Não substitui produção acadêmica, mas o prêmio mostra que já existe reconhecimento formal institucional para esse tipo de trabalho.

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