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CNPq abre Atlânticas: bolsa no exterior para mulheres negras

Chamada Beatriz Nascimento oferece bolsas de doutorado sanduíche e pós-doutorado no exterior a cientistas negras, indígenas, quilombolas e ciganas.

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Você é uma cientista negra, indígena, quilombola ou cigana e já ouviu a frase “não tem edital pra gente” tantas vezes que parou de procurar. O CNPq acaba de abrir a segunda edição de uma chamada pensada justamente pra furar esse silêncio. O Atlânticas: Programa Beatriz Nascimento de Mulheres na Ciência é uma chamada do CNPq, em parceria com os ministérios da Igualdade Racial, das Mulheres e dos Povos Indígenas, que financia parte do doutorado ou do pós-doutorado no exterior para essas pesquisadoras. As inscrições estão abertas até 30 de setembro, e o valor total da chamada é de R$ 4,925 milhões. Se você está no meio do doutorado ou já tem o título nas mãos, vale parar dois minutos para entender como isso funciona.

Imersão Vira Artigo: o artigo científico que já existe dentro do seu trabalho sai em 1 dia. Ao vivo, dias 12 e 13 de setembro, apenas 40 vagas. Garanta sua vaga.

O que aconteceu

A chamada tem três modalidades, e cada uma serve a um momento diferente da carreira. A DEJ (Desenvolvimento Tecnológico e Inovação no Exterior Júnior) é para quem já está matriculada em doutorado no Brasil e quer fazer estágio ou curso em instituição de excelência fora do país, de um a 12 meses. A DES (versão Sênior) tem o mesmo formato, mas exige pelo menos cinco anos de experiência em pesquisa. Já a PDE (Pós-Doutorado no Exterior) é para quem já defendeu o doutorado e quer desenvolver um projeto com conteúdo científico ou tecnológico inovador fora do Brasil, de seis a 12 meses.

A submissão é feita pela própria candidata, exclusivamente pela Plataforma Integrada Carlos Chagas. O resultado preliminar sai em 15 de dezembro, e quem for aprovada vai implementar a bolsa entre 1º de março de 2027 e 31 de dezembro de 2028, sem prorrogação.

Por que isso importa pra você

Um problema comum de bolsa no exterior é o que o dinheiro não cobre: moradia inicial, adaptação, imprevisto de saúde acabam ficando por conta da bolsista. Esta chamada tenta fechar parte desse buraco: Esta chamada tenta fechar parte desse buraco:

  1. Mensalidade e auxílio-deslocamento, para cobrir o custo básico de viver fora.
  2. Auxílio-instalação, pensado justamente para o primeiro mês, quando tudo custa mais caro e nada ainda está resolvido.
  3. Seguro-saúde, item que costuma pesar no orçamento de quem vai morar fora por conta própria.
  4. Adicional de localidade, quando aplicável, reconhecendo que nem todo destino tem o mesmo custo de vida.

Se você está terminando o doutorado agora, a DEJ é sua porta de entrada: um estágio de um ano fora pode mudar o rumo da sua tese, principalmente se sua área tem grupo de pesquisa forte em outro país. Se você já defendeu, a PDE abre a chance de um pós-doutorado com orçamento dedicado, com o orçamento definido por esta chamada.

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O que essa chamada não resolve (e o que resolve)

Vale ser honesta aqui: um edital não conserta décadas de sub-representação de mulheres negras, indígenas, quilombolas e ciganas na ciência. Ele não muda quem senta nas bancas, nem quem financia os grandes laboratórios. Mas resolve um problema bem concreto: o de quem tem o projeto pronto e não tem como pagar a passagem.

É por isso que estruturar bem o seu pré-projeto antes de submeter faz diferença real. Uma proposta que mostra claramente o que você vai fazer fora, com qual grupo, e por que aquele destino específico importa para a sua pesquisa, pesa na avaliação. Não é sobre embelezar o texto: é sobre deixar visível o raciocínio que já está na sua cabeça.

Próximos passos

  1. Confira em qual modalidade você se encaixa (DEJ, DES ou PDE) antes de montar qualquer documento.
  2. Acesse o edital completo no site do CNPq para ver a lista integral de exigências e documentos.
  3. Cadastre-se na Plataforma Integrada Carlos Chagas com antecedência, para não perder tempo com login na última semana.
  4. Contate um grupo de pesquisa no exterior antes de submeter, isso pode ser exigido pelo edital para comprovar o vínculo com o destino.
  5. Organize seu cronograma sabendo que a implementação só começa em março de 2027: dá tempo de planejar com calma.

O nome da chamada não é decoração. Beatriz Nascimento foi historiadora, estudou os quilombos brasileiros por duas décadas e foi uma das grandes referências do feminismo negro no país. Morreu em 1995, vítima de feminicídio, ainda no mestrado. Em 2021, a UFRJ concedeu a ela o título de doutora honoris causa in memoriam. Um programa com esse nome carrega a lembrança de que a ciência brasileira ainda está pagando uma dívida antiga com as mulheres negras, e que abrir uma vaga no exterior é parte pequena, mas real, dessa conta.

Se o seu momento agora é escrever ou revisar o pré-projeto para se candidatar a bolsas como essa, veja Revisão de Literatura: Guia Completo Para Sua Pesquisa para deixar a fundamentação teórica da sua proposta mais sólida antes de submeter.

Fonte: Programa Beatriz Nascimento de Mulheres na Ciência, Agência FAPESP

Perguntas frequentes

Quem pode se inscrever no Programa Beatriz Nascimento?
Cientistas negras (pretas e pardas), quilombolas, indígenas e ciganas. Para a modalidade DEJ, é preciso estar matriculada em doutorado no Brasil. Para a DES, ter pelo menos cinco anos de experiência em pesquisa. Para a PDE, ter o título de doutorado em mãos.
Até quando posso me inscrever no Atlânticas 2026?
As inscrições ficam abertas até 30 de setembro, exclusivamente pela Plataforma Integrada Carlos Chagas. O resultado preliminar está previsto para 15 de dezembro deste ano.
Quanto tempo dura a bolsa e quando ela começa?
As modalidades DEJ e DES duram de um a 12 meses; a PDE, de seis a 12 meses, sem prorrogação. A implementação ocorre entre 1º de março de 2027 e 31 de dezembro de 2028.

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