CNPq abre Atlânticas: bolsa no exterior para mulheres negras
Chamada Beatriz Nascimento oferece bolsas de doutorado sanduíche e pós-doutorado no exterior a cientistas negras, indígenas, quilombolas e ciganas.
Você é uma cientista negra, indígena, quilombola ou cigana e já ouviu a frase “não tem edital pra gente” tantas vezes que parou de procurar. O CNPq acaba de abrir a segunda edição de uma chamada pensada justamente pra furar esse silêncio. O Atlânticas: Programa Beatriz Nascimento de Mulheres na Ciência é uma chamada do CNPq, em parceria com os ministérios da Igualdade Racial, das Mulheres e dos Povos Indígenas, que financia parte do doutorado ou do pós-doutorado no exterior para essas pesquisadoras. As inscrições estão abertas até 30 de setembro, e o valor total da chamada é de R$ 4,925 milhões. Se você está no meio do doutorado ou já tem o título nas mãos, vale parar dois minutos para entender como isso funciona.
O que aconteceu
A chamada tem três modalidades, e cada uma serve a um momento diferente da carreira. A DEJ (Desenvolvimento Tecnológico e Inovação no Exterior Júnior) é para quem já está matriculada em doutorado no Brasil e quer fazer estágio ou curso em instituição de excelência fora do país, de um a 12 meses. A DES (versão Sênior) tem o mesmo formato, mas exige pelo menos cinco anos de experiência em pesquisa. Já a PDE (Pós-Doutorado no Exterior) é para quem já defendeu o doutorado e quer desenvolver um projeto com conteúdo científico ou tecnológico inovador fora do Brasil, de seis a 12 meses.
A submissão é feita pela própria candidata, exclusivamente pela Plataforma Integrada Carlos Chagas. O resultado preliminar sai em 15 de dezembro, e quem for aprovada vai implementar a bolsa entre 1º de março de 2027 e 31 de dezembro de 2028, sem prorrogação.
Por que isso importa pra você
Um problema comum de bolsa no exterior é o que o dinheiro não cobre: moradia inicial, adaptação, imprevisto de saúde acabam ficando por conta da bolsista. Esta chamada tenta fechar parte desse buraco: Esta chamada tenta fechar parte desse buraco:
- Mensalidade e auxílio-deslocamento, para cobrir o custo básico de viver fora.
- Auxílio-instalação, pensado justamente para o primeiro mês, quando tudo custa mais caro e nada ainda está resolvido.
- Seguro-saúde, item que costuma pesar no orçamento de quem vai morar fora por conta própria.
- Adicional de localidade, quando aplicável, reconhecendo que nem todo destino tem o mesmo custo de vida.
Se você está terminando o doutorado agora, a DEJ é sua porta de entrada: um estágio de um ano fora pode mudar o rumo da sua tese, principalmente se sua área tem grupo de pesquisa forte em outro país. Se você já defendeu, a PDE abre a chance de um pós-doutorado com orçamento dedicado, com o orçamento definido por esta chamada.

O que essa chamada não resolve (e o que resolve)
Vale ser honesta aqui: um edital não conserta décadas de sub-representação de mulheres negras, indígenas, quilombolas e ciganas na ciência. Ele não muda quem senta nas bancas, nem quem financia os grandes laboratórios. Mas resolve um problema bem concreto: o de quem tem o projeto pronto e não tem como pagar a passagem.
É por isso que estruturar bem o seu pré-projeto antes de submeter faz diferença real. Uma proposta que mostra claramente o que você vai fazer fora, com qual grupo, e por que aquele destino específico importa para a sua pesquisa, pesa na avaliação. Não é sobre embelezar o texto: é sobre deixar visível o raciocínio que já está na sua cabeça.
Próximos passos
- Confira em qual modalidade você se encaixa (DEJ, DES ou PDE) antes de montar qualquer documento.
- Acesse o edital completo no site do CNPq para ver a lista integral de exigências e documentos.
- Cadastre-se na Plataforma Integrada Carlos Chagas com antecedência, para não perder tempo com login na última semana.
- Contate um grupo de pesquisa no exterior antes de submeter, isso pode ser exigido pelo edital para comprovar o vínculo com o destino.
- Organize seu cronograma sabendo que a implementação só começa em março de 2027: dá tempo de planejar com calma.
O nome da chamada não é decoração. Beatriz Nascimento foi historiadora, estudou os quilombos brasileiros por duas décadas e foi uma das grandes referências do feminismo negro no país. Morreu em 1995, vítima de feminicídio, ainda no mestrado. Em 2021, a UFRJ concedeu a ela o título de doutora honoris causa in memoriam. Um programa com esse nome carrega a lembrança de que a ciência brasileira ainda está pagando uma dívida antiga com as mulheres negras, e que abrir uma vaga no exterior é parte pequena, mas real, dessa conta.
Se o seu momento agora é escrever ou revisar o pré-projeto para se candidatar a bolsas como essa, veja Revisão de Literatura: Guia Completo Para Sua Pesquisa para deixar a fundamentação teórica da sua proposta mais sólida antes de submeter.
Fonte: Programa Beatriz Nascimento de Mulheres na Ciência, Agência FAPESP
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Perguntas frequentes
Quem pode se inscrever no Programa Beatriz Nascimento?
Até quando posso me inscrever no Atlânticas 2026?
Quanto tempo dura a bolsa e quando ela começa?
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