Método

Escape Room ensina os 3 Rs da experimentação animal

Podcast da SBPC mostra jogo que ensina redução, refinamento e substituição no uso de animais em pesquisa. O que isso muda pra quem pesquisa com biomodelos.

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Uma dinâmica de escape room, dessas que ficaram febre entre adolescentes, virou porta de entrada para discutir um dos dilemas mais delicados da ciência: o uso de animais em pesquisa. É o que mostra o novo episódio do podcast O Som da Ciência, da SBPC, gravado durante o evento Ciência Aberta, no CNPEM, em Campinas. O 3Rs é o conjunto de princípios de redução, refinamento e substituição que orienta toda pesquisa com animais. Se você pesquisa com biomodelos, submete projeto a comitê de ética ou orienta alguém que faz isso, esse episódio fala diretamente com o seu trabalho, mesmo que o formato pareça só divulgação científica para escolas.

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O que aconteceu

A médica veterinária Klena Sarges criou o Escape Room dos Biomodelos, uma dinâmica em grupo na qual estudantes do ensino médio percorrem ambientes temáticos e resolvem desafios sobre doenças emergentes, biomodelos tridimensionais, simulações computacionais e métodos alternativos de pesquisa. A atividade faz parte do programa SBPC Vai à Escola e foi apresentada no episódio 2 de O Som da Ciência, gravado no evento Ciência Aberta.

No episódio, Klena explica o núcleo do jogo: “São três pilares que conduzem as práticas de quem realiza a experimentação animal. Esses pilares são baseados na redução dos animais, no refinamento das práticas para proporcionar bem-estar e na substituição deles sempre que possível.” Nao e’ uma explicacao simplificada para leigos. E’ o mesmo vocabulario tecnico que orienta as praticas de quem realiza experimentacao animal, como a propria Klena descreve.

O projeto é conduzido por bolsistas do ensino médio e da graduação, que atuam como monitoras da dinâmica. A estudante Fabiane Mello, uma das bolsistas, resume o efeito multiplicador da atividade: “Às vezes você não precisa saber muito. Com um pouquinho, já ensina uma outra pessoa, que talvez crie um interesse.”

Por que isso importa pra você

Se a experimentação animal atravessa sua pesquisa, de algum jeito, os 3 Rs não são conteúdo de divulgação científica: são o critério que decide se o seu protocolo passa no comitê de ética. Veja como isso muda dependendo de onde você está:

  1. Se você está desenhando um projeto agora: descreva explicitamente como o desenho reduz o número de animais, garante bem-estar (refinamento) e considera alternativas de substituição. Descrever essa justificativa por escrito ajuda a deixar mais clara a logica do proprio desenho experimental.
  2. Se você já está no laboratório: vale revisar se o protocolo em andamento ja considera os metodos alternativos mostrados no episodio. Biomodelos tridimensionais e simulações computacionais são dois dos métodos alternativos que o próprio jogo usa para ilustrar substituição.
  3. Se você orienta alunos: o episódio é um material curto e didático para introduzir o tema antes da primeira submissão ao comitê de ética. E’ um jeito curto de abrir essa conversa antes da primeira submissao.

O contexto legal também mudou recentemente. A Lei nº 15.183/2025 proibiu testes em animais vivos para cosméticos, perfumes e produtos de higiene pessoal. A regulamentação do Inventário Nacional de Substâncias Químicas foi na mesma direção: testes em animais só como último recurso, quando não existe método alternativo validado cientificamente. Pesquisa biomédica com medicamentos e vacinas continua, em muitos casos, dependendo de modelos animais, mas a pressão regulatória por alternativas só cresce.

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O que isso pede da sua Execução Inteligente

O Método V.O.E. (Velocidade, Organização, Execução Inteligente) tem um pilar que conversa direto com o que o episódio mostra: Execução Inteligente é fazer a coisa certa da primeira vez, em vez de descobrir depois que faltou justificativa para redução, refinamento ou substituição.

Documentar os 3 Rs desde o desenho do experimento, e não só na hora de escrever a justificativa para o CEUA, é exatamente esse tipo de execução. É documentar desde o início o que, de outra forma, teria que ser justificado depois, sob pressão.

Quando li sobre o Escape Room, o que me chamou atenção não foi o formato lúdico em si, mas o fato de ele reproduzir, sem simplificar, o vocabulário técnico real. Isso é raro em divulgação científica para jovens. E acho que diz algo sobre onde a ciência precisa chegar: não em explicar o dilema ético de forma rasa, mas em treinar quem vai decidir sobre ele desde a escola.

Próximos passos

Se você trabalha com biomodelos ou orienta quem trabalha, aqui vai o que fazer com essa notícia:

  1. Ouça o episódio 2 de O Som da Ciência (Spotify ou YouTube) para ver como o vocabulário dos 3 Rs é explicado de forma acessível, util para reforcar o vocabulario dos 3 Rs antes de explicar seu proprio projeto.
  2. Revise, no protocolo que você tem em andamento, se a redução, o refinamento e a substituição estão documentados com a mesma clareza que Klena Sarges usa no episódio.
  3. Se orienta alunos de graduacao, considere indicar o episodio como material introdutorio sobre os 3 Rs da experimentacao animal.
  4. Acompanhe a regulamentação do Inventário Nacional de Substâncias Químicas, especialmente se sua área trabalha com avaliação de segurança de substâncias: o texto trata teste em animal como último recurso.

Se você está começando a estruturar como vai apresentar sua pesquisa, seja para um comitê de ética, seja para uma banca, entender os tipos de texto certos pra cada momento facilita bastante esse caminho. Vale a leitura de Tipos de Texto: Guia Prático para Quem Está Começando.

Fonte: O Som da Ciência: podcast da SBPC acompanha visita de jovens ao Escape Room dos Biomodelos no Ciência Aberta, Jornal da Ciência

Perguntas frequentes

O que são os 3 Rs da experimentação animal?
São os três pilares que orientam pesquisas com animais: redução (usar o menor número possível de cobaias), refinamento (garantir bem-estar durante o procedimento) e substituição (trocar o animal por outro método sempre que possível, como simulação computacional ou biomodelo tridimensional).
A legislação brasileira já proíbe testes em animais?
Parcialmente. A Lei nº 15.183/2025 proíbe testes em animais vivos para cosméticos, perfumes e produtos de higiene pessoal. Já a regulamentação do Inventário Nacional de Substâncias Químicas trata testes em animais como último recurso, quando não existe alternativa validada. Pesquisas biomédicas com medicamentos e vacinas ainda usam animais com frequência.
O que é o Escape Room dos Biomodelos?
É uma dinâmica em grupo criada pela veterinária Klena Sarges, apresentada no podcast O Som da Ciência da SBPC. Os participantes resolvem desafios sobre doenças emergentes, biomodelos tridimensionais e simulações computacionais para entender, na prática, os métodos alternativos ao uso de animais em laboratório.

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