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Springer Nature reverte retratação de Planck após 15 anos

Dois artigos do Nobel Max Planck, retratados em 2011 por suposta violação de copyright, foram restaurados pela Springer Nature após erro humano.

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Em 6 de julho, a Springer Nature reinstaurou dois artigos de Max Planck, ganhador do Nobel de Física em 1918, que estavam retratados desde 2011. Uma retratação é o ato formal pelo qual uma revista invalida um artigo publicado, mantendo o registro no histórico com um aviso público. Se você depende de periódicos científicos para sustentar sua tese, seu artigo ou seu currículo Lattes, esse caso importa porque mostra o quanto esse selo de invalidação pode ser frágil, e por quanto tempo um erro pode ficar sem explicação.

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O que aconteceu

Os dois artigos, publicados por Planck em 1940 e 1942 na revista Die Naturwissenschaften, foram retratados em 2011 sob a alegação de “violação de copyright”. O aviso não trazia data nem detalhe algum sobre o que teria sido violado. Assim ficou por quinze anos, registrado no banco de dados do Retraction Watch.

O caso só ganhou atenção quando o historiador Yves Gingras, de Montreal, notou os dois registros na lista de laureados com Nobel que têm retratações, publicada pelo Retraction Watch em 2024. Gingras escreveu um artigo sobre o episódio com Mahdi Khelfaoui e o publicou como preprint em maio. Uma reportagem da revista Science sobre esse preprint sugeriu que “um bot” poderia ter causado a retratação, hipótese que a própria Springer Nature depois refutou.

Tim Kersjes, chefe de integridade de pesquisa da Springer Nature, disse à Gizmodo que a decisão de retratar “foi um erro humano” e que nenhum software ou bot esteve envolvido. Ele também admitiu que os registros da editora sobre o caso são limitados, porque os funcionários responsáveis já deixaram a empresa e os sistemas de registro de integridade mudaram desde 2011.

Por que isso importa pra você

Gingras não aceitou a explicação sem ressalva. Ele questionou como alguém, manualmente, teria revisado décadas de arquivo digitalizado e encontrado justamente dois artigos curtos de Planck com suposto problema de copyright. Para ele, é mais provável que algum fluxo automatizado de triagem tenha sinalizado os artigos, e que a decisão final de retratar tenha sido humana, mas supervisionando um processo que começou automatizado.

Esse detalhe muda o que fica registrado sobre integridade científica, e muda o que você deveria checar antes de citar ou de confiar num artigo retratado:

  1. A data da retratação existe? O aviso original de Planck não tinha data, e só recebeu uma quando os artigos foram reinstaurados em 2026.
  2. O motivo é específico? No caso de Planck, “violação de copyright” apareceu sem explicar qual direito e de quem, e a Springer Nature depois reconheceu que a explicação original não se sustentava.
  3. A editora consegue reconstruir o processo anos depois? Se não consegue, como neste caso, isso é um problema da editora, não necessariamente do conteúdo científico do artigo.

Se você trabalha com revisão de literatura ou cita trabalhos históricos, checar esses três pontos evita que você descarte, ou aceite, um artigo pelo motivo errado.

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O ponto que mais me incomoda nesse caso

O que fica comigo aqui não é o erro em si, é o tempo que ele levou para ser corrigido. Quinze anos com dois artigos de um Nobel marcados como inválidos, por um motivo que a própria editora hoje não consegue explicar com precisão. Os artigos nunca tiveram a integridade científica questionada, o problema era administrativo, e ainda assim carregaram o rótulo de retratados por uma geração inteira de pesquisadores.

Isso não significa que toda retratação seja suspeita. O caso de Planck é sobre um episódio específico mal documentado, não uma regra geral sobre o sistema de retratações. Mas o caso de Planck é um lembrete de que o sistema de integridade das editoras também depende de gente, de registro bem feito e de memória institucional, e que nenhuma dessas coisas é garantida só porque a editora é grande e respeitada.

Próximos passos

Se esse tipo de falha estrutural em editoras científicas te interessa, vale olhar outros casos parecidos:

  1. Antes de descartar um artigo retratado, procure a data e o motivo específico da retratação.
  2. Se o motivo for vago ou administrativo (copyright, duplicação, erro de submissão), não assuma automaticamente que o conteúdo científico está comprometido.
  3. Lembre que retratação pode ser revertida: o artigo de Planck prova que o selo não é necessariamente permanente.

Se você quer entender como as editoras estão mudando suas próprias regras sobre retratação e revisão, dá uma olhada em Livros também se retratam: Springer Nature muda as regras.

Fonte: Springer Nature un-retracts Planck papers, citing human error, Retraction Watch

Perguntas frequentes

Por que a Springer Nature retratou dois artigos de Max Planck em 2011?
A editora citou violação de copyright, sem data e sem detalhamento. Quinze anos depois, ao reinstaurar os artigos, a própria Springer Nature reconheceu que a explicação original não se sustentava e chamou o episódio de erro humano.
Um artigo retratado pode voltar a valer depois de anos?
Sim. O caso de Planck mostra que retratação não é necessariamente definitiva: se a editora reconhece que o processo foi falho, o artigo pode ser reinstaurado. Ele continua registrado no histórico, agora como reinstatement, não como retração ativa.
O que esse caso revela sobre os processos de retratação das editoras científicas?
Revela que, neste caso, a Springer Nature não conseguiu reconstruir por que a retratação aconteceu, porque os registros internos se perderam e as pessoas envolvidas já deixaram a empresa. É um problema de rastreabilidade que ficou exposto neste episódio.

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