IA & Ética

Claude Science: a Anthropic quer virar ferramenta de ciência

A Anthropic lançou o Claude Science, produto que ajuda cientistas a rodar pesquisa com IA. O que isso muda pra quem pesquisa biologia e saúde.

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Em 30 de junho, a Anthropic reuniu executivos de farmacêuticas, fundadores de biotech e pesquisadores num evento e anunciou o Claude Science, produto pensado para apoiar pesquisa científica do mesmo jeito que o Claude Code apoia quem programa. O Claude Science é uma ferramenta de inteligência artificial que executa tarefas de pesquisa de forma autônoma a partir de instruções simples, com acesso a softwares e bancos de dados usados em biologia computacional e desenvolvimento de fármacos. Se você pesquisa em biologia molecular, genética ou áreas próximas, isso muda o tipo de apoio computacional que passa a estar disponível no seu fluxo de trabalho.

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O que aconteceu

A Anthropic colocou o Claude Science no mesmo patamar estratégico do Claude Code e do Claude Cowork, os dois produtos mais conhecidos da empresa. Segundo Eric Kauderer-Abrams, chefe de ciências da vida da Anthropic, isso “representa o quanto isso é importante pra nossa missão”, já que a empresa aposta nas ciências da vida como a maior oportunidade de cumprir seu objetivo declarado de desenvolver IA que sirva ao bem-estar de longo prazo da humanidade.

Não é a primeira tentativa da empresa nessa direção. Em outubro, a Anthropic já tinha lançado plug-ins que ajudam o Claude a usar softwares e bancos de dados científicos, sob o nome “Claude for Life Sciences”. A diferença agora é de escala: o Claude Science é um produto completo e independente, já disponível para todos os assinantes pagos do Claude, não um complemento lateral.

A ferramenta interage com softwares usados em genética, química e biologia de proteínas, e foi demonstrada publicamente identificando candidatos a fármacos para a fenilcetonúria, uma doença genética rara. A própria Anthropic anunciou que vai usar o Claude Science em pesquisas internas sobre fármacos para doenças raras negligenciadas, tanto para contribuir com a ciência quanto para testar o produto em condições reais.

Por que isso importa pra você

O contexto competitivo ajuda a entender a aposta. Durante a última década, o Google DeepMind liderou o uso de IA em ciência: o CEO Demis Hassabis e o pesquisador John Jumper ganharam o Nobel de Química pelo trabalho no modelo AlphaFold. Mas, segundo a matéria, o avanço recente da IA em programação deixou o DeepMind numa posição de quem corre atrás. Jumper, inclusive, anunciou neste mês que está deixando o DeepMind para ir para a Anthropic, o que a reportagem trata como um voto de confiança relevante.

Isso interessa de formas diferentes dependendo de onde você está na pós-graduação:

  1. Se você pesquisa em biologia molecular, genética ou desenvolvimento de fármacos: o Claude Science já está disponível para assinantes pagos do Claude, e vale testar se ele reduz o tempo que você gasta escrevendo código de análise ou rodando pipelines em clusters de computação.
  2. Se você usa ferramentas de IA generalista (Claude Code, ChatGPT) na sua pesquisa hoje: o lançamento sinaliza que os grandes laboratórios de IA estão migrando de ferramentas genéricas para produtos verticais por área. Vale acompanhar se a sua área também vai ganhar uma versão especializada.
  3. Se você orienta ou avalia projetos em áreas correlatas: a matéria cita a avaliação do físico de Harvard Matthew Schwartz, que estimou, com base no uso do Claude Code e de outras ferramentas da Anthropic, que o modelo Opus 4.5 executa projetos científicos com capacidade parecida com a de um estudante de doutorado no segundo ano. É uma referência concreta para calibrar expectativa, e não uma promessa de substituição de pesquisadores.
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O que isso muda no seu fluxo de trabalho

O diferencial que a Anthropic destaca não é só a geração de código: é a integração de duas coisas que normalmente exigem esforço manual separado. Primeiro, a execução em clusters de computação pesada, infraestrutura que muitos pesquisadores precisam mas que é difícil de configurar e manter sozinho. Segundo, a rastreabilidade: o produto foi desenhado para que cada figura ou resultado gerado possa ser rastreado até a origem, permitindo checar a validade depois.

Isso conversa direto com um dos pilares do Método V.O.E. (Velocidade, Organização, Execução Inteligente): a ideia de que velocidade sem rastreabilidade não é ganho, é risco. Uma ferramenta que gera resultado rápido mas some com o caminho até ele cria um problema novo, o de reproduzir e validar depois. O que a Anthropic está prometendo, ao menos no discurso do lançamento, é resolver os dois lados ao mesmo tempo.

Por que esse lançamento me deixa com um pé atrás

Fico dividida com esse anúncio, e vale dizer isso com clareza. Por um lado, uma ferramenta que ajuda quem não é programador profissional a rodar pipelines de bioinformática é um ganho real de acesso: boa parte de quem pesquisa em biologia hoje precisa de algum código, mas nem toda pesquisadora quer (ou precisa) ser desenvolvedora de software.

Por outro lado, a matéria menciona, sem rodeios, que farmacêuticas têm bolsos muito mais profundos que laboratórios universitários. A Anthropic diz estar perto do primeiro trimestre lucrativo, e contratos com farmacêuticas ajudam a sustentar isso, especialmente com um IPO no radar ainda este ano. Não significa que a intenção científica seja falsa. Significa que vale acompanhar quem financia o quê, e quem tem prioridade de acesso quando a ferramenta escalar.

Próximos passos

Se você trabalha com biologia computacional, genética ou desenvolvimento de fármacos, aqui vai o que fazer ainda essa semana:

  1. Verifique se sua assinatura paga do Claude já dá acesso ao Claude Science.
  2. Compare o que ele oferece com o que você já usa no Claude Code, antes de migrar seu fluxo de trabalho inteiro.
  3. Se você não pesquisa em ciências da vida, procure saber se a sua área tem (ou terá) uma ferramenta vertical equivalente, em vez de forçar o uso de um produto pensado para outro domínio.
  4. Leia com atenção qualquer material publicado pela própria empresa que desenvolveu a ferramenta: ele é interessado, mesmo quando o resultado técnico é real.

Se você quer entender melhor como a Anthropic pensa a relação entre IA e autonomia intelectual, dá uma olhada em IA e a armadilha da soberania: o que isso ensina sobre uso.

Fonte: Claude Science Is Anthropic’s Newest Flagship Product, MIT Technology Review

Perguntas frequentes

O que é o Claude Science?
É um produto de IA lançado pela Anthropic para apoiar pesquisa científica, com foco em biologia molecular, genética e desenvolvimento de fármacos. Ele escreve código, executa em clusters de computação e ajuda a rastrear a origem de resultados e figuras para checagem posterior.
O Claude Science substitui o Claude Code para quem pesquisa?
Não. Segundo a Anthropic, ele foi desenhado para complementar o Claude Code e o Claude Cowork, não substituí-los. A ideia é construir sobre o que já funciona nesses produtos, acrescentando ferramentas específicas de bioinformática e capacidade de rodar código em infraestrutura pesada.
Isso é útil pra quem pesquisa fora da biologia molecular?
A Anthropic diz que o Claude Science pode, em princípio, apoiar qualquer área científica, mas o lançamento foi desenhado e apresentado como ferramenta de biologia e desenvolvimento de fármacos. Quem pesquisa em outras áreas ainda depende mais do Claude Code genérico.

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