Duas gerações de pesquisa brasileira recebem reconhecimento
Capes premiou 49 teses sobre energia limpa e plataformas digitais, enquanto a Anpocs reconheceu três carreiras de cientistas sociais.
Outubro trouxe dois prêmios que, lado a lado, mostram quem está pensando o Brasil daqui pra frente, e de onde vem esse pensamento. Entre setembro e outubro, a Capes anunciou 49 doutores recém-formados premiados por teses sobre fotossíntese artificial, hidrelétricas na Amazônia e antitruste em plataformas digitais. No mesmo período, a Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais entregou o Prêmio Anpocs de Excelência Acadêmica a três pesquisadores que formaram gerações de cientistas sociais. O Prêmio Anpocs de Excelência Acadêmica é um reconhecimento concedido durante o encontro anual da associação a carreiras consolidadas, não a trabalhos pontuais. Se você está no início da pós ou já pensa em carreira de longo prazo, vale entender a diferença entre os dois tipos de reconhecimento.
O que aconteceu
Em setembro, a Capes divulgou os 49 vencedores do Prêmio Capes de Tese, distribuídos entre diversas áreas do conhecimento. Os temas vencedores dizem muito sobre o que vem sendo valorizado na produção científica brasileira: energia limpa, captura de carbono, regulação de plataformas digitais e uso político das redes sociais aparecem entre os destaques.
Entre os trabalhos reconhecidos está a pesquisa de Gustavo Zottis Girotto, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, sobre nanopartículas para fotossíntese artificial, e a tese de Luan Michel Soares Pereira, da USP, sobre antitruste e plataformas digitais. Também foram premiados estudos sobre diagnóstico de hepatite delta, homicídios de adolescentes em São Paulo e os impactos de pequenas centrais hidrelétricas em Rondônia.
Já o Prêmio Anpocs, entregue durante o 50º encontro anual da associação na Unicamp, reconheceu três trajetórias: Guita Grin Debert, que pesquisa velhice na Unicamp, recebeu o prêmio Gilberto Velho de Antropologia; Fernando Limongi, da USP, o prêmio Gildo Marçal Brandão de Ciência Política; e Helena Hirata, que atua no Centro Nacional de Pesquisa Científica francês, o prêmio Antônio Flávio Pierucci em sociologia.
Por que isso importa pra você
A diferença entre os dois prêmios não é só de escala. Ela marca dois momentos distintos da carreira acadêmica, e cada um pede uma estratégia diferente de quem está dentro dele.
- Se você está terminando a tese agora: o Prêmio Capes avalia o trabalho em si, recém-concluído. O critério é a qualidade e a relevância daquela pesquisa específica, não um histórico de publicações.
- Se você já está numa carreira consolidada: prêmios como o da Anpocs reconhecem a obra acumulada e a formação de outros pesquisadores ao longo de décadas. Orientação e construção de linhagem científica entram no critério.
- Se você está escolhendo área ou linha de pesquisa: observar os temas premiados pela Capes é uma forma de ver onde a produção recente tem ganhado peso, sem que isso signifique que só esses temas valem a pena.
Vale notar que a lista de vencedores da Capes atravessa áreas muito diferentes: física, antropologia, odontologia, matemática, serviço social. A lista de vencedores atravessa física, antropologia, odontologia, matemática, geologia e outras áreas.

O que esse contraste me faz pensar
Quando vi as duas listas lado a lado, a primeira coisa que me chamou atenção foi o tempo. Uma tese premiada pela Capes é o fim de um ciclo de alguns anos. Um prêmio de excelência acadêmica como o da Anpocs é o reconhecimento de décadas formando outros pesquisadores. São régua e compasso diferentes, e acho que vale lembrar disso quando a comparação entre pares vira ansiedade.
Não significa que você precisa escolher entre “publicar rápido” ou “construir carreira longa” agora. Significa que o tipo de reconhecimento que existe pra você muda conforme a etapa em que você está, e, na minha experiência, cobrar de si mesma o prêmio errado no momento errado costuma gerar frustração que dá pra evitar. Faz sentido pensar nisso quando você compara sua trajetória com a de quem está em outro ponto da carreira.
Próximos passos
Se esses prêmios te deixaram curiosa sobre o que está sendo valorizado na pesquisa brasileira agora, ou sobre como construir uma trajetória de longo prazo, aqui vão alguns caminhos:
- Veja se a sua área está entre as premiadas pela Capes este ano e observe os critérios usados na avaliação.
- Se você está no início da carreira e pensa em internacionalização, a chamada Jovem Pesquisador da FAPESP está aberta até 19 de novembro para quem viveu e trabalhou no exterior por pelo menos dois anos após o doutorado.
- Acompanhe a conferência da FAPESP sobre interfaces cérebro-máquina, em 27 de novembro, se a interseção entre neurociência e tecnologia interessa à sua pesquisa.
- Se o tema é meio ambiente, as inscrições para o Prêmio MapBiomas, que usa dados de satélite sobre o território brasileiro, seguem abertas até fevereiro.
Se a ansiedade de comparação entre pares é algo que pesa pra você agora, vale a leitura de Se isso é algo que pesa pra você agora, vale a leitura de Ansiedade no Mestrado: Por que o Sofrimento Não é Regra.
Fonte: Duas gerações, Revista Pesquisa FAPESP
Recurso recomendado
Um atalho pra essa etapa da sua pesquisa.
+800 Prompts 4 em 1 (Projeto, Dissertação, Tese e Artigo Científico)
Os 4 produtos +200 Prompts juntos: Projeto, Dissertação, Tese e Artigo. Pra quem quer acesso completo a um preço de combo.
Perguntas frequentes
O que é o Prêmio Capes de Tese?
Quem recebeu o Prêmio Anpocs de Excelência Acadêmica em 2026?
Como participar da chamada Jovem Pesquisador da FAPESP?
Leia também
Receba estratégias de escrita acadêmica direto no seu feed
Siga a Dra. Nathalia no YouTube e Instagram para conteúdo gratuito sobre o Método V.O.E.