Oportunidades

FAPESP amplia em 30% o investimento em pesquisa em 2025

Relatório mostra que a FAPESP contratou 15,9 mil projetos em 2025, 22,9% a mais que no ano anterior. Veja o que muda para quem busca bolsa ou auxílio.

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Em 19 de outubro, a FAPESP divulgou o Relatório de Atividades 2025, e o número que mais chama atenção é simples de entender: o desembolso em pesquisa cresceu 30% em relação ao ano anterior. Dos 32,6 mil projetos apoiados, 15,9 mil foram contratados só em 2025, uma fatia 22,9% maior que em 2024. O Relatório de Atividades é o documento que a FAPESP publica todo ano reunindo os principais números de investimento, os programas lançados e os resultados das chamadas abertas naquele período. Se você está pensando em submeter um projeto, já tem um ou está no meio de uma pesquisa financiada pela Fundação, esse crescimento interessa diretamente: ele mostra onde o dinheiro está indo, e isso ajuda a entender onde faz sentido apostar as suas próximas energias.

O que aconteceu

O presidente da FAPESP, Marco Antonio Zago, atribuiu o resultado a dois movimentos simultâneos: a demanda crescente por bolsas e auxílios em diversas modalidades de fomento, e o esforço da Fundação em ampliar programas voltados a políticas públicas e inovação, sem abrir mão da ciência básica.

Um dos destaques são os Centros de Ciência para o Desenvolvimento, os CCDs. A FAPESP encerrou 2025 com 83 CCDs em operação, sendo 34 deles criados naquele mesmo ano. Esses centros nascem para responder a problemas concretos indicados por órgãos do governo estadual e por prefeituras, e reúnem mais de 3 mil pesquisadores trabalhando em temas como segurança pública, mobilidade, transição energética e educação. Segundo Zago, os investimentos da FAPESP nos CCDs somaram R$ 570 milhões, e com as contrapartidas das instituições parceiras, o total chegou a R$ 1,5 bilhão.

A inovação também ganhou tração. No Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas, o PIPE, foram aprovados mais de 400 projetos em 2025. Um levantamento da consultoria Emerge, feito em parceria com o Cubo do Itaú e a Chemical Abstracts Service, mostrou que, das 875 deep techs brasileiras mapeadas, 55,2% estavam em São Paulo e 28% delas já tinham recebido recursos do PIPE.

Por que isso importa pra você

Um relatório anual de uma agência de fomento pode parecer distante da sua rotina de escrita, leitura e prazo de qualificação. Mas ele funciona como um mapa de onde o dinheiro está sendo direcionado, e isso tem efeito direto em quem está decidindo onde submeter o próximo projeto.

  1. Se você está escrevendo um projeto agora, vale olhar se a sua área se encaixa em algum dos programas que cresceram: Projetos Temáticos (10% a mais em número, 13% a mais em valor desembolsado), PPP (Programa de Pesquisa em Políticas Públicas) ou os novos programas estratégicos lançados em 2025, o Sistemas Alimentares Saudáveis e o Pesquisa em Transição Energética.
  2. Se você está no exterior e pensa em voltar ou se estabelecer em São Paulo, dois editais relevantes foram abertos em 2025: o InThegra e a Chamada Internacional para Jovens Pesquisadores, que juntos selecionaram 44 propostas de pesquisadores interessados em se fixar em instituições paulistas.
  3. Se você atua em saúde, o PPSUS, programa feito em parceria com o Ministério da Saúde, o CNPq e a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, selecionou 26 projetos na 8ª chamada, voltados a saúde digital, gestão e avaliação de tecnologias.

Se você está pensando em pedir uma bolsa ou auxílio

Procure o edital mais recente da linha que te interessa e confira se ele está entre os programas que a Fundação está ampliando. Um programa em expansão não garante aprovação, mas mostra em que frentes a Fundação ampliou investimento em 2025.

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O que esse crescimento revela sobre a lógica do fomento

Quando olho para esse tipo de relatório, o que me chama atenção não é só o número de 30%, é o que ele sinaliza sobre a direção do fomento público em São Paulo. A FAPESP não está apenas investindo mais: está redistribuindo o investimento entre ciência básica, aplicada e políticas públicas ao mesmo tempo, e isso aparece no crescimento conjunto dos Projetos Temáticos (ciência de fronteira), dos CCDs (resposta a demandas concretas) e do PIPE (inovação em pequenas empresas).

Isso não significa que todo projeto bem escrito será aprovado, longe disso. Mas significa que vale a pena mapear com cuidado em qual dessas frentes o seu projeto se encaixa antes de submeter, porque editais distintos têm critérios de avaliação distintos. Na minha experiência, vale checar se a estrutura do pré-projeto conversa com o que cada edital pede, já que programas como os CCDs exigem demonstrar aplicação direta a um problema público identificado, o que nem todo edital pede da mesma forma. Faz sentido? É exatamente esse tipo de adequação entre proposta e edital que faz diferença na hora da análise.

Próximos passos

Se você está no meio de um planejamento de submissão para a FAPESP ou outra agência de fomento, aqui vai um checklist rápido para esta semana:

  1. Acesse o Relatório de Atividades 2025 completo em fapesp.br/relatorio2025 e identifique os programas da sua área que mais cresceram.
  2. Se você trabalha com um tema aplicado a políticas públicas, verifique se existe algum CCD relacionado à sua área em ccd.fapesp.br.
  3. Se você está no exterior, acompanhe os próximos editais do InThegra e da Chamada Internacional para Jovens Pesquisadores: acompanhe se a FAPESP abrirá novas rodadas desses editais.
  4. Revise o enquadramento do seu pré-projeto: ele está pedindo recurso na linha certa, com os objetivos alinhados ao edital escolhido?

Se você quer entender melhor como estruturar uma proposta para esse tipo de chamada internacional, veja FAPESP abre chamada para trazer pesquisadores de fora.

Fonte: Investimento da FAPESP em pesquisa cresce 30% em 2025, Agência FAPESP

Perguntas frequentes

O que é o Relatório de Atividades 2025 da FAPESP?
É o documento anual que reúne os principais números e iniciativas da FAPESP no ano, incluindo valores desembolsados, projetos contratados e os programas lançados. A edição de 2025 foi divulgada em 19 de outubro e está disponível em fapesp.br/relatorio2025.
O que são os Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCDs) da FAPESP?
São centros de pesquisa voltados a problemas concretos identificados por governos estadual e municipais, em áreas como segurança pública, mobilidade e educação. A FAPESP encerrou 2025 com 83 CCDs em operação, reunindo mais de 3 mil pesquisadores.
O crescimento de 30% no desembolso da FAPESP significa mais bolsas disponíveis?
O relatório mostra que 15,9 mil projetos foram contratados em 2025, 22,9% a mais que em 2024, incluindo Bolsas e Auxílios em diversas modalidades. Isso não garante aprovação individual, mas indica que a demanda por fomento seguiu em alta e a Fundação ampliou a capacidade de resposta.

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