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Incêndio na UFPE atinge 200 pesquisas: o que muda pra você

Fogo destruiu prédio de pesquisa da UFPE e afetou cerca de 200 teses. Governo prorroga bolsas e abre vagas de doutorado sanduíche no exterior.

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Na madrugada de 8 de outubro, um prédio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) ainda fumegava quando os primeiros pesquisadores voltaram para ver o que restava. O incêndio começou na noite de 7 de outubro, atingiu um centro de pesquisas de informática e saúde, e só foi controlado horas depois. Uma bolsa de pós-graduação é o recurso financeiro, mensal, que sustenta mestrandos, doutorandos e pós-doutorandos enquanto eles produzem pesquisa, e é justamente esse recurso que o governo federal decidiu prorrogar para quem perdeu anos de trabalho no fogo. Se você é bolsista, orienta alguém que depende de uma bolsa, ou simplesmente quer entender como o sistema reage quando uma tragédia dessas acontece, vale entender o que foi anunciado e o que ainda está em aberto.

O que aconteceu

O prédio de dois pavimentos abrigava núcleos de pesquisa em educação física, biologia e biomedicina, incluindo o Núcleo de Pesquisa em Inovação Terapêutica. Entre os temas estudados ali estavam câncer, Covid-19, Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Segundo a reitoria, cerca de 200 dissertações e teses de pós-graduação foram prejudicadas, e o prejuízo estimado passa de R$ 100 milhões, com a perda de 20 anos de estudos científicos.

O reitor Alfredo Gomes confirmou que todo o material de pesquisa que estava no local foi consumido pelo fogo. “Nossa grande preocupação é que nós temos aproximadamente 200 dissertações e teses em andamento aqui nos diversos laboratórios, e precisamos evitar que essas pesquisas parem”, disse. A professora Melissa Leandro Celestino, que desenvolvia pesquisas em performance humana, biomecânica, TDAH e autismo no prédio, resumiu a perda: “muitos equipamentos, muitos projetos de iniciação científica, mestrado e doutorado… e se perdeu tudo”.

Este foi o terceiro incêndio na UFPE em sete dias. Os dois anteriores, num laboratório do Departamento de Física (30 de setembro) e no Centro de Biociências (4 de outubro), já tiveram a causa identificada pela própria universidade: um experimento em andamento e um curto-circuito no ar-condicionado, respectivamente. O terceiro está sob investigação da Polícia Federal, que reforçou a perícia com uma equipe do Instituto Nacional de Criminalística.

Por que isso importa pra você

Se você nunca pensou no que acontece quando um desastre interrompe uma pesquisa, este caso é um retrato raro de como o sistema federal responde, e do que ele cobre (e não cobre) de imediato.

Se você está em fase final de doutorado

  1. A chamada especial do PDSE (Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior) foi aberta para doutorandos da UFPE afetados que já estejam na fase final da tese. Instituições na Alemanha, nos Estados Unidos e na França já se comprometeram a receber esses pesquisadores.
  2. Se você está nessa fase e perdeu dados essenciais, verifique com a sua coordenação de pós-graduação se o seu caso se encaixa nesse chamamento específico.

Se você é bolsista de mestrado, doutorado ou pós-doutorado

  1. O ministro da Educação, Leonardo Barchini, anunciou a prorrogação das bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado dos pesquisadores afetados. Na prática, quem perdeu dados e equipamentos agora tem mais tempo de bolsa para recomeçar o que for possível recomeçar.
  2. A medida foi anunciada especificamente para os pesquisadores da UFPE atingidos por este incêndio.

Se você orienta ou coordena um programa de pós-graduação

  1. A universidade abriu parcerias com instituições nacionais e estrangeiras para ajudar na conclusão das pesquisas interrompidas, e também colocou serviços de psicologia à disposição de estudantes e professores.
  2. Vale mapear, mesmo sem incêndio à vista, se o seu programa tem algum plano de contingência para perda de dados de laboratório. Vale pensar nisso antes que um imprevisto force a resposta.
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O ponto que mais me preocupa nesse episódio

Quando vi a notícia, a primeira coisa que me ocorreu não foi o prédio. Foi o tempo. Vinte anos de estudos científicos não se refazem em meses, e uma bolsa prorrogada por alguns meses não devolve uma câmera de análise tridimensional de movimento, um freezer a 80 graus negativos ou um banco de dados coletado ao longo de anos com participantes que talvez não estejam mais disponíveis para participar de novo.

É por isso que, embora a resposta do governo tenha sido rápida (prorrogação de bolsa, chamada de intercâmbio, verba para reconstrução), ela resolve o problema financeiro sem resolver o problema metodológico. Faz sentido? Uma pesquisadora com dados de quatro anos de coleta não troca isso por um laboratório mais novo. Não significa que a resposta institucional foi insuficiente. Significa que, pra quem está dentro de um desastre desses, o próximo passo prático é entender exatamente o que é recuperável (parceria, acesso a laboratório parceiro, backup externo) e o que exige replanejar o projeto de pesquisa do zero.

Próximos passos

Se você é estudante ou pesquisador da UFPE afetado por este incêndio, ou orienta alguém que está:

  1. Procure a coordenação do seu programa de pós-graduação para confirmar se a sua bolsa está na lista de prorrogação anunciada pelo MEC.
  2. Se você está em fase final de doutorado, pergunte formalmente sobre a chamada especial do PDSE antes de assumir que seu caso não se qualifica.
  3. Levante o que ainda é recuperável: dados salvos em nuvem, coautores que guardaram cópias, versões anteriores de manuscritos submetidas a periódicos.
  4. Use o apoio psicológico oferecido pela universidade. Perder anos de trabalho de pesquisa é luto, e tratar como luto ajuda a tomar decisões melhores sobre o replanejamento.

Reconstruir uma pesquisa do zero, por motivo nenhum que você escolheu, é exatamente o tipo de cenário em que ter um projeto bem documentado desde o início faz diferença. Se esse é o seu momento, vale olhar como estruturar pedidos de bolsa e fomento de forma que o trabalho fique protegido: Bolsas de Pesquisa no Brasil 2027: Guia por Agência.

Fonte: Incêndio que destruiu prédio da UFPE afetou cerca de 200 teses e dissertações; pesquisadores têm bolsas prorrogadas, G1 Pernambuco

Perguntas frequentes

O que aconteceu com o prédio de pesquisa da UFPE?
Um incêndio destruiu, na noite de 7 de outubro, um prédio que abrigava núcleos de pesquisa em educação física, biologia e biomedicina na UFPE. O fogo só foi controlado na madrugada seguinte e consumiu equipamentos, dados e materiais de cerca de 200 dissertações e teses em andamento.
Quem teve a bolsa de pesquisa prorrogada por causa do incêndio?
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, anunciou que as bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado dos pesquisadores da UFPE afetados pelo incêndio serão prorrogadas. A medida vale também para professores em estágio pós-doutoral.
Como funciona o chamamento especial de doutorado sanduíche no exterior para a UFPE?
É uma chamada extra do PDSE (Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior) aberta para doutorandos da UFPE em fase final de tese que perderam dados no incêndio. Instituições parceiras na Alemanha, nos Estados Unidos e na França já se comprometeram a receber esses pesquisadores.

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