SBPC na Paraíba debate Caatinga e desigualdade científica
Reunião Regional da SBPC ocorre em Campina Grande nos dias 27 e 28 de outubro e discute concentração de recursos de pesquisa no Brasil.
Em 27 e 28 de outubro, Campina Grande recebe a I Reunião Regional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) na Paraíba, com o tema “Bioma Caatinga: Desafios para Reduzir Assimetrias Regionais”. A Reunião Regional é um evento científico organizado pela SBPC em parceria com universidades locais, reunindo pesquisadores, estudantes e gestores para discutir ciência a partir de um território específico, neste caso o Semiárido brasileiro. As inscrições são gratuitas e seguem abertas até 23 de outubro. Se você pesquisa Caatinga, bioeconomia ou política científica regional, e principalmente se você está fora do eixo Sul-Sudeste, esse encontro tem relevância direta para o seu currículo e para a sua rede de contatos.
O que aconteceu
A SBPC vai além da preservação de um bioma exclusivamente brasileiro: propõe tratar a Caatinga como território de conhecimento, inovação e possibilidade de desenvolvimento. Segurança hídrica, biodiversidade, bioeconomia, tecnologias de convivência com o Semiárido e financiamento científico atravessam a programação dos dois dias.
A abertura oficial acontece na manhã de 27 de outubro, no Auditório José Farias, na UFCG, com a presidência da SBPC e reitores de instituições públicas. Na sequência, José Ethan Lucena Barbosa, diretor do Instituto Nacional do Semiárido (INSA), apresenta a palestra “Resiliência em Construção: Inovação para um Novo Semiárido”. No dia seguinte, a programação científica se encerra às 17h com uma plenária final conduzida pela presidente da SBPC, Francilene Garcia.
Realizar esse debate em Campina Grande, um dos principais polos universitários e tecnológicos do Nordeste, não é acidente: amplia a discussão sobre como descentralizar investimento e fortalecer produção científica fora dos grandes centros.
Por que isso importa pra você
O evento reúne eixos que aparecem em quase toda pauta de pesquisa sobre o Semiárido, e alguns deles têm ligação direta com decisões que você provavelmente já está tomando ou vai tomar em breve.
- Financiamento: a mesa “Estratégias de financiamento e governança em CT&I” reúne Fapesq-PB, SECTIES, CINEP e Sebrae-PB. Se você busca fomento estadual na Paraíba ou quer entender como pequenas agências se articulam com o setor produtivo, essa mesa é onde a conversa acontece.
- Pós-graduação: representantes da UEPB, IFPB, UFCG e UFPB discutem a formação de pesquisadores como vetor de redução de assimetrias regionais. Se você está escolhendo programa fora dos grandes centros, ouvir esse debate ajuda a entender o que está em jogo institucionalmente.
- Inovação e mercado: unidades da Rede EMBRAPII vinculadas às quatro universidades discutem a articulação entre ciência e setor produtivo. Relevante se sua pesquisa tem aplicação tecnológica e você busca parceria fora do circuito de sempre.
Se você está terminando dissertação ou tese na área
Vale conferir a mesa “Vitrine de Inovação: Conectando Ciência Transversal e Impacto Social no Semiárido”. Apresentar um recorte do seu trabalho ali pode virar contato relevante para a próxima etapa, seja pós-doc, seja parceria de pesquisa.
Se você está pensando em mudar de área ou de região
A Feira de Saberes e Exposição Tecnológica, no dia 28, reúne projetos de universidades, institutos e comunidades tradicionais em um só espaço. É um jeito rápido de mapear quem trabalha com o quê no Semiárido sem precisar rastrear página por página.

O que esse debate revela sobre o sistema
Quando li a programação, um detalhe me chamou atenção: o evento não separa “ciência da Caatinga” de “ciência sobre desigualdade científica”. As duas coisas estão na mesma mesa, no mesmo auditório, no mesmo dia. Isso é raro, e é proposital.
A concentração de recursos, infraestrutura e oportunidades de pesquisa em poucos estados é um problema estrutural do sistema brasileiro de ciência, tecnologia e inovação, e a SBPC está usando a própria geografia do evento como argumento. Não é a mesma coisa discutir descentralização em um auditório de São Paulo e discutir descentralização em Campina Grande, com pesquisadores locais na mesa e não só na audiência.
Não significa que participar do evento resolve o problema de financiamento regional. Significa que, se você pesquisa fora do eixo Sul-Sudeste, esse tipo de espaço concentra em dois dias uma rede de contatos institucionais (agência de fomento estadual, universidades federais, empresas parceiras) que que você levaria bastante tempo para mapear sozinha.
Próximos passos
Se você quer participar, ou pelo menos aproveitar o material que vai circular depois:
- Acesse eventos.uepb.edu.br/sbpc e confira a programação completa antes de se inscrever, para escolher as mesas mais relevantes para sua pesquisa.
- Inscreva-se até 23 de outubro. É gratuito, mas o prazo é curto.
- Se você não pode ir presencialmente, procure saber se as mesas serão gravadas ou se haverá material publicado depois, se houver essa possibilidade.
- Se você orienta ou é orientanda de alguém na área de Semiárido, bioeconomia ou políticas de CT&I, considere levar o tema para a próxima reunião de grupo de pesquisa.
Se você quer acompanhar outras iniciativas parecidas, vale ficar de olho em como a SBPC divulga futuros encontros regionais. Se você quer entender melhor o panorama nacional desse tipo de reunião científica, veja Reunião Anual da SBPC 2026: vale a pena entrar nessa?.
Fonte: Reunião Regional da SBPC coloca Caatinga e desigualdades da ciência no centro do debate, Jornal da Ciência
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Perguntas frequentes
Quando é a I Reunião Regional da SBPC na Paraíba?
Como faço para me inscrever na Reunião Regional da SBPC?
Por que um evento sobre a Caatinga discute financiamento de ciência?
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