Jornada & Bastidores

FICA-SP: até R$ 1,5 milhão para fixar doutores em SP

FAPESP, CNPq e Capes lançam chamada para fixar até cem pesquisadores recém-doutores em SP, com bolsa mensal e auxílio de R$ 1,5 milhão.

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Você defende a tese, comemora, e aí vem a pergunta que ninguém te preparou para responder: e agora? Sem vínculo empregatício, sem orientador para bater na porta, sem programa de pós para te dar um teto institucional. É esse vácuo entre o título de doutor e o primeiro cargo estável que a chamada FICA-SP tenta preencher. A FICA-SP é uma chamada da FAPESP, em parceria com o CNPq e a Capes, que vai financiar até cem projetos de pesquisadores recém-doutores para fixá-los em universidades e institutos paulistas. Se você está terminando o doutorado ou já terminou e está sem vínculo fixo, essa chamada foi desenhada para o seu momento exato.

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O que a chamada oferece, e para quem

A chamada integra o PROFIX-CB, programa do CNPq de apoio à fixação de doutores no Brasil, com a FAPESP entrando como parceira estadual. Podem se candidatar pesquisadores sem vínculo empregatício, em início de carreira, com trajetória que já demonstre independência em relação a orientadores e supervisores. Não é preciso estar numa área específica: a chamada aceita propostas de todas as áreas do conhecimento.

O financiamento vem em três frentes, e elas se somam. O pesquisador responsável recebe uma Bolsa Conhecimento Brasil (BCB-1) do CNPq, R$ 13 mil por mês, por até 48 meses. O projeto em si é custeado pela FAPESP via Auxílio à Pesquisa Projeto Geração, com até R$ 1,5 milhão e duração de 51 meses. E se o orientador principal do projeto estiver credenciado num programa de pós-graduação, ele ainda pode receber bolsas de mestrado ou doutorado da Capes para orientar dentro dessa estrutura.

Por que isso importa pra você

Um detalhe chama atenção nesta chamada: o requisito de independência. A exigência não é “ter orientador”, é justamente o contrário, ter saído da órbita dele. Isso muda o cálculo de quem está perto de defender ou já defendeu.

  1. Se você está terminando o doutorado, comece a esboçar um projeto que seja seu, não uma continuação direta da tese do orientador. É essa independência que a chamada exige explicitamente.
  2. Se você já defendeu e está sem vínculo, verifique se sua trajetória recente (publicações, colaborações, projetos próprios) já demonstra essa independência, que é o critério que a chamada exige explicitamente..
  3. Se você atua numa área alinhada aos eixos estratégicos da FAPESP (biotecnologia, transição energética, biodiversidade e segurança alimentar, transição digital e IA, tecnologias quânticas, saúde humana e animal, ou violência e segurança pública), até metade das vagas de cada ciclo é reservada para essas linhas, o que pode facilitar sua entrada.
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Os dois ciclos, e o que muda entre eles

A chamada abre em dois momentos, e não são idênticos. O primeiro ciclo vai até 30 de setembro e vai selecionar até 60 projetos, divididos meio a meio: 30 em ampla concorrência (qualquer área) e 30 vinculados aos eixos estratégicos. O segundo ciclo abre em 9 de novembro e fecha em 26 de fevereiro de 2027, com até 40 projetos, também divididos igualmente entre ampla concorrência e eixos estratégicos.

Se sua pesquisa não se encaixa em nenhum dos sete eixos, isso não te tira da disputa: a ampla concorrência existe justamente para isso, e representa metade das vagas em cada ciclo. O que muda é a concorrência dentro de cada bloco, não o acesso à chamada como um todo.

Toda submissão é feita pelo Sistema de Apoio à Gestão (SAGe), da FAPESP. Vale revisar o edital completo antes de montar a proposta, para confirmar prazos e exigências específicas de cada ciclo.

Próximos passos

Esta chamada tem uma característica que vale registrar: ela não pede vínculo com orientador ou supervisor. Pede que você prove que já é capaz de tocar pesquisa sozinho. É outro tipo de currículo que se constrói, e vale organizar isso com antecedência, não na véspera do prazo.

  1. Leia o texto completo da chamada em fapesp.br/18238 antes de escrever qualquer linha da proposta.
  2. Mapeie se seu histórico recente (não só o período do doutorado) mostra independência de fato.
  3. Se sua área bate com algum dos sete eixos estratégicos, decida conscientemente se vai submeter por ali ou pela ampla concorrência.
  4. Organize os documentos exigidos pelo SAGe com folga, o sistema tem suas próprias formatações e prazos internos de upload.
  5. Se você orienta ou pretende orientar dentro do projeto, confirme seu credenciamento no programa de pós-graduação antes de contar com a bolsa da Capes.

Se esse momento de transição, entre a defesa e a estabilidade profissional, já te pegou de surpresa antes, vale ler sobre como lidar com a decisão de trocar de orientador: a lógica de construir uma trajetória própria começa muito antes do edital aparecer.

Fonte: Chamada seleciona até cem projetos para incentivar a fixação de doutores, Agência FAPESP

Perguntas frequentes

Quem pode se inscrever na chamada FICA-SP?
Pesquisadores sem vínculo empregatício, em início de carreira, que já tenham trajetória acadêmica independente do orientador ou supervisor. A chamada não exige área específica: todas as áreas do conhecimento podem submeter propostas.
Qual o valor da bolsa e do auxílio da chamada FICA-SP?
O CNPq concede Bolsa Conhecimento Brasil (BCB-1) de R$ 13 mil por mês, por até 48 meses, para o pesquisador responsável. A FAPESP financia o projeto em si, via Auxílio à Pesquisa Projeto Geração, com até R$ 1,5 milhão e duração de até 51 meses.
Quais são os prazos de submissão da chamada FICA-SP?
Há dois ciclos. O primeiro vai até 30 de setembro e seleciona até 60 projetos. O segundo abre em 9 de novembro e fecha em 26 de fevereiro de 2027, com até 40 projetos selecionados. As propostas são enviadas pelo SAGe.

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