CAPES completa 75 anos e homenageia dois nomes da USP
Anísio Teixeira 2026 premiou 20 pesquisadores em edição ampliada. Dois deles são da USP. O que essa premiação revela sobre reconhecimento na carreira
Em 1º de julho, no Teatro Nacional, em Brasília, a CAPES celebrou 75 anos de existência com uma solenidade que reuniu autoridades, pesquisadores e gestores públicos. No mesmo evento, foi entregue o Prêmio Anísio Teixeira, que reconhece contribuições relevantes para a educação e a ciência no país. O Prêmio Anísio Teixeira é uma homenagem concedida pela CAPES a cada cinco anos, nas categorias Educação Básica e Educação Superior, e neste ano teve edição ampliada: 20 nomes, o dobro do habitual, entre eles dois professores da USP. Se você está construindo carreira acadêmica agora, vale entender o que esse tipo de reconhecimento sinaliza sobre como a trajetória de pesquisa é avaliada ao longo do tempo, e não só pelo volume de publicações do último biênio.
O que aconteceu
Tradicionalmente, o prêmio contempla dez personalidades por edição, cinco em cada categoria. Em 2026, por conta da comemoração dos 75 anos da CAPES, a fundação decidiu dobrar o número de homenageados: 20 nomes, sendo dez na categoria Educação Básica e dez em Educação Superior.
Na categoria Educação Superior, os professores Arlindo Philippi Junior e Marilena de Souza Chauí, ambos da USP, foram reconhecidos. A lista completa dessa categoria inclui ainda Anna Mae Tavares Bastos (ex-USP, hoje na Universidade Anhembi Morumbi), Dalila Andrade Oliveira (UFMG), Débora Fogel (UFRJ), Dermeval da Hora Oliveira (UFPB), Josicélia Dumet Fernandes (UFBA), Keti Tenenblat (UnB), Lydia Masako Ferreira (Unifesp) e Rita de Cássia Barradas Barata (FCMSCSP).
O processo de escolha não é aberto a candidatura espontânea. Os nomes são indicados pelos Conselhos Técnico-Científicos da CAPES, passam pela deliberação do Conselho Superior da instituição e do Ministério da Educação, e recebem aprovação final da presidência. “O reconhecimento dos docentes da USP é motivo de orgulho institucional e uma forma de divulgar a qualidade de nossa pós-graduação”, disse Otavio Luiz Rodrigues Junior, superintendente Jurídico da USP, que representou a universidade na solenidade.
Por que isso importa pra você
Um prêmio concedido a cada cinco anos, por indicação de conselhos técnicos, avalia trajetória de um jeito diferente de um edital ou de uma avaliação de programa. Ele avalia trajetória, não produto isolado. Isso não muda nada no seu processo seletivo desta semana, mas ajuda a enquadrar uma pergunta que vale fazer de tempos em tempos: o que, na sua trajetória, teria peso numa avaliação assim, se ela existisse pra você?
Se você está no início da pós-graduação
- Se você quer que uma trajetória de longo prazo conte, vale registrar desde já contribuições que vão além do artigo, como formação de pessoas, atuação em bancas, participação em conselhos.
- Observe quem, no seu programa, já recebeu algum tipo de reconhecimento institucional e pergunte como essa trajetória foi construída.
Se você já orienta ou está perto disso
- Este prêmio considera impacto formativo, não só bibliométrico. Vale registrar orientações concluídas, participação em colegiados e contribuições para políticas educacionais, mesmo que isso não entre direto no seu currículo Lattes.
- Neste prêmio, a indicação parte dos Conselhos Técnico-Científicos da CAPES, o que sugere que participar de conselhos e comissões técnicas pode ser parte do caminho até esse tipo de reconhecimento.

O que esse tipo de prêmio revela sobre a carreira acadêmica
Quando leio sobre um prêmio como este, penso menos no troféu e mais no critério por trás dele. A régua de avaliação da pós-graduação, muitas vezes, dá peso grande a métricas de produção: quantos artigos, em qual estrato, com qual fator de impacto. O Prêmio Anísio Teixeira usa outra régua, a da contribuição de longo prazo para a educação e a ciência do país, e isso é um recado sobre o que também conta, mesmo quando não está na planilha da CAPES que avalia seu programa.
Não significa que você deva abandonar a produção científica pensando em prêmios institucionais raros. Significa que vale registrar, desde já, as contribuições que não cabem numa métrica só de publicação: a orientação que formou alguém, a participação num conselho técnico, o trabalho que fortaleceu a área. Método V.O.E. (Velocidade, Organização, Execução Inteligente) tem um pilar de Organização justamente para isso: documentar o que você faz, não só o que você publica, pra que a trajetória inteira fique visível quando alguém for avaliá-la.
Próximos passos
Se você quer entender melhor como a CAPES avalia programas e trajetórias de pesquisa, aqui vão alguns pontos de atenção:
- Acompanhe o site da CAPES para editais e critérios de avaliação de programas, que mudam por quadriênio.
- Se você está em fase de orientação, comece a registrar formalmente sua atuação em bancas, conselhos e comissões, não só suas publicações.
- Converse com sua coordenação de pós-graduação sobre como a instituição indica nomes para reconhecimentos externos, e quais critérios ela usa internamente.
Se você está organizando sua própria trajetória de pesquisa e quer entender melhor como estruturar dados e evidências do seu trabalho, veja Livro da USP ensina estatística com simulação e dados reais.
Fonte: CAPES comemora 75 anos e homenageia professores da USP com Prêmio Anísio Teixeira, Jornal da USP
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Perguntas frequentes
O que é o Prêmio Anísio Teixeira da CAPES?
Como uma pessoa é indicada ao Prêmio Anísio Teixeira?
Quem são os professores da USP premiados em 2026?
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