Método

Acordo entre FAPESP e Aura amplia acesso paulista ao LSST

Novo acordo entre FAPESP e Aura garante a pesquisadores paulistas acesso ao maior levantamento astronômico já feito, o LSST.

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Imagine ter acesso a um filme do céu inteiro, atualizado toda noite, por dez anos seguidos. É basicamente isso que a FAPESP acaba de garantir para pesquisadores do Estado de São Paulo. Um novo acordo entre a Fundação e a Association of Universities for Research in Astronomy (Aura), consórcio de instituições científicas norte-americanas, ampliou de cinco para dez o número de pesquisadores principais paulistas com acesso ao Legacy Survey of Space and Time, o LSST, levantamento astronômico realizado pelo Observatório Vera Rubin, no Chile, que vai mapear o céu do hemisfério Sul noite após noite ao longo de uma década. O LSST é um projeto que deve reunir informações sobre mais de 20 bilhões de galáxias e 17 bilhões de estrelas, indo dos asteroides do Sistema Solar até os enigmas da matéria e da energia escuras. Se você pesquisa em astronomia, física ou qualquer área que lide com dados em escala absurda, esse acordo é um retrato de como a ciência de ponta hoje depende tanto de telescópio quanto de infraestrutura de rede.

O que aconteceu

O acordo formaliza uma colaboração que já vinha de antes do observatório entrar em operação. Luiz Vitor de Souza Filho, professor do Instituto de Física de São Carlos da USP e assessor da Diretoria Científica da FAPESP para Grandes Infraestruturas de Pesquisa, explica que a contribuição anterior da Fundação para a infraestrutura de transmissão de dados já garantia direito a cinco pesquisadores principais e seus associados. Com o observatório funcionando e o LSST iniciado oficialmente em 30 de junho, essa participação dobrou e ganhou um marco institucional novo.

Pelos termos do acordo, a FAPESP pode indicar dez pesquisadores principais, cada um acompanhado por até cinco pesquisadores em início de carreira (pós-doutorandos e doutorandos). Isso forma um contingente potencial de 60 cientistas paulistas com acesso à massa de dados do observatório. Souza Filho conta que uma nova chamada de propostas vai selecionar quem completa esse grupo, e que a FAPESP deve aportar uma contribuição anual de US$ 2,3 milhões ao projeto.

Por que isso importa pra você

A parte menos óbvia do acordo é a que sustenta tudo: a infraestrutura de telecomunicações que transporta, em tempo quase real, volumes gigantescos de dados do Chile para os Estados Unidos. Souza Filho chama essa rede de “sistema nervoso do projeto”. A cada noite, o observatório deve gerar cerca de 10 terabytes de dados e disparar de 7 a 10 milhões de alertas sobre objetos que mudaram de posição ou brilho, com um prazo máximo de 60 segundos entre a imagem e o alerta.

Isso tem implicação direta pra quem trabalha com dados hoje, em qualquer área:

  1. **Este acordo específico mostra que o acesso a dado bruto também passa pela infraestrutura que move esse dado, não só pelo telescópio. Se a sua área depende de bases colaborativas internacionais, vale mapear quais consórcios sua instituição já integra, e quais chamadas futuras podem abrir vaga pra você.
  2. No caso do LSST, gestão de volume e velocidade de dados é parte central do método de pesquisa. O LSST deve gerar algo entre 60 e 500 petabytes de dados processados ao longo de dez anos. Trabalhar com esse tipo de escala exige planejamento de armazenamento, processamento e curadoria, não só análise.
  3. Pesquisador em início de carreira tem porta de entrada específica aqui. O acordo reserva vagas explícitas para pós-doutorandos e doutorandos associados aos pesquisadores principais. Se você está nessa fase e sua área cruza com astronomia, física de dados ou computação, essa é uma chamada pra acompanhar de perto.
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O que a velocidade da rede tem a ver com o seu método

Ricardo Dahab, atual coordenador da Rede de Pesquisa e Educação de São Paulo (Rednesp), infraestrutura implantada e mantida pela FAPESP, dá um número que ajuda a entender a escala do desafio: as imagens pesadas obtidas no Chile precisam chegar aos Estados Unidos em sete segundos. Um atraso de 0,2 segundo no trajeto, ou uma perda de pacotes de informação de 0,001%, pode comprometer a operação inteira. A Rednesp transmite até 400 gigabits por segundo, até 40 vezes mais rápido que a melhor internet residencial disponível hoje.

Esse nível de exigência técnica é um bom lembrete de que Velocidade, um dos três pilares do Método V.O.E. (Velocidade, Orientação, Execução Inteligente), Aqui, não é sobre trabalhar rápido de qualquer jeito: é sobre ter a infraestrutura certa pra que a velocidade de transmissão de dados não comprometa a precisão. Dahab também menciona que os dados são criptografados duas vezes na saída e descriptografados duas vezes na chegada, porque confiabilidade e segurança pesam tanto quanto rapidez num projeto de dez anos.

Próximos passos

Se esse tema te interessa, seja porque sua pesquisa toca astronomia, dados em larga escala ou colaboração internacional, aqui vão algumas ações concretas:

  1. Acompanhe os canais da FAPESP pra chamada de propostas que vai completar o grupo de 60 pesquisadores com acesso ao LSST.
  2. Se você é pós-doutorando ou doutorando numa área que dialoga com astrofísica ou ciência de dados, converse com seu orientador sobre possíveis conexões com grupos que já participam do projeto.
  3. Pesquise se a sua instituição integra redes acadêmicas de alto desempenho como a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), que conecta o Brasil a infraestruturas internacionais como essa.

E se você está pensando em como estruturar um projeto de pesquisa que dependa de colaboração com grandes bases de dados, vale revisar como você documenta e justifica essas escolhas metodológicas. Tem um bom ponto de partida em Working Paper: O Que É e Como Usar na Sua Pesquisa.

Fonte: Acordo amplia presença paulista no maior levantamento astronômico da história, Agência FAPESP

Perguntas frequentes

O que é o LSST e por que ele é considerado o maior levantamento astronômico da história?
O LSST (Legacy Survey of Space and Time) é um mapeamento do céu do hemisfério Sul feito pelo Observatório Vera Rubin, no Chile, ao longo de dez anos. Ele deve reunir dados de mais de 20 bilhões de galáxias e 17 bilhões de estrelas, gerando até 500 petabytes de dados processados até o fim do levantamento.
Como um pesquisador paulista consegue acesso aos dados do LSST pelo acordo com a FAPESP?
A FAPESP pode indicar até dez pesquisadores principais, cada um com até cinco pesquisadores em início de carreira associados, somando até 60 cientistas com acesso aos dados. Segundo o acordo, uma nova chamada de propostas vai selecionar quem completa esse grupo.
Por que a velocidade da rede de internet importa tanto para um projeto de astronomia?
Porque o LSST dispara alertas sobre eventos astronômicos de curta duração, e as imagens precisam sair do Chile e chegar aos Estados Unidos em até sete segundos para que outros telescópios sejam notificados a tempo. A Rednesp, rede mantida pela FAPESP, processa esse tráfego a até 400 Gbps, muito acima da internet residencial ou corporativa comum.

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