Citação Curta ABNT: Guia Completo com Exemplos Práticos
Entenda a regra da citação curta na ABNT, quando usá-la em vez da citação longa e como formatar aspas e chamadas corretamente no texto.
Por que a mesma regra de três linhas, que parece a coisa mais simples da ABNT, é justamente a que mais aparece errada em trabalhos revisados por banca?
A citação curta ABNT é a transcrição literal de até três linhas do trabalho em que está inserida, mantida no corpo do parágrafo, entre aspas duplas, sem recuo especial e sem mudança de fonte. A regra está na NBR 10520, e o problema não é a regra em si, é a quantidade de detalhes pequenos que ela carrega e que ninguém explica com calma. Você aprende “até três linhas, com aspas” e acha que resolveu. Não resolveu.
Vou te mostrar onde a citação curta costuma quebrar na prática e como aplicar a regra sem depender de sorte.
O que conta como linha na hora de medir
A primeira confusão é sobre o que se conta. A contagem de três linhas se refere ao espaço que a citação ocupa no seu documento, formatado com a fonte, o espaçamento e a margem que você está usando. Não é a extensão do trecho no artigo original de onde você tirou a frase.
Isso importa porque o mesmo parágrafo pode caber em duas linhas num documento com fonte 12 e margem padrão, e estourar pra quatro linhas se você aumentar a fonte, mudar a margem, ou simplesmente colar o texto num documento com configuração diferente. Se você formatou o TCC inteiro e só depois ajustou espaçamento ou fonte por exigência da instituição, vale reconferir as citações que estavam na fronteira entre curta e longa. Uma citação que era curta pode ter virado longa sem você notar.
Na prática, o jeito mais seguro é medir depois que o documento está com a formatação final. Se você mede antes e o layout muda depois, o trabalho de revisão dobra.
Como fica a chamada de autoria
A citação curta pede uma chamada de autoria, e essa chamada pode vir de duas formas, dependendo de como você constrói a frase.
Quando o nome do autor aparece dentro do texto, integrado à frase, ele vem com a primeira letra maiúscula e o ano entre parênteses, seguido da página:
Segundo Bardin (2011, p. 40), a análise de conteúdo “é um conjunto de técnicas de análise das comunicações.”
Quando o nome do autor não aparece na frase, ele vai entre parênteses junto com o ano e a página, também só com a inicial maiúscula, como pede a NBR 10520:2023 (a versão de 2002 pedia o sobrenome em caixa alta dentro do parêntese). Fica assim:
A análise de conteúdo “é um conjunto de técnicas de análise das comunicações” (Bardin, 2011, p. 40).
O erro mais comum aqui é seguir a versão antiga da norma e escrever o sobrenome em caixa alta dentro do parêntese, ou esquecer a página em qualquer um dos dois casos. A página é obrigatória em citação direta, curta ou longa. Sem ela, a referência fica incompleta e a banca costuma marcar isso mesmo quando o resto está certo.

As aspas não são opcionais
Toda citação curta vai entre aspas duplas. Isso vale mesmo que o trecho já esteja em itálico, mesmo que você tenha mudado a cor da fonte, mesmo que o trecho esteja destacado de qualquer outra forma visual. As aspas são o elemento que sinaliza “isto não é meu, é transcrição literal”, e nenhuma outra formatação cumpre esse papel na ABNT.
Um erro recorrente é usar aspas simples em vez de duplas, ou usar aspas curvas (“curly quotes”) que o processador de texto insere automaticamente e que às vezes ficam inconsistentes entre trechos diferentes do mesmo documento. Vale revisar isso no fim, com a função de busca do editor, procurando por aspas simples onde deveriam estar duplas.
Outro ponto que gera dúvida: se a citação já contém aspas no trecho original (por exemplo, o autor citou outra pessoa dentro da frase que você está transcrevendo), a convenção é usar aspas simples para essa citação interna, preservando as aspas duplas para o limite externo da sua transcrição.
Quando a citação curta não é a escolha certa
Nem toda transcrição literal precisa ser citação curta. Se o trecho passa de três linhas no seu documento formatado, ele se torna citação longa, e a formatação muda completamente: recuo de 4 cm da margem esquerda, fonte geralmente menor (tamanho 10), espaçamento simples entre linhas, e sem aspas.
Esse limite de três linhas não é sugestão estética, é a regra que separa dois formatos com exigências diferentes. Um erro comum é forçar um trecho de quatro ou cinco linhas dentro do formato de citação curta porque “ficou só um pouquinho maior”. Nesse caso, a solução não é forçar, é reformatar como citação longa, ou cortar o trecho pra manter só a parte essencial do argumento que você precisa.
Vale lembrar também que citação longa demais costuma ser sintoma de outro problema: você está deixando o autor falar por você em vez de usar o trecho como evidência dentro do seu próprio argumento. Se você notar que está citando parágrafos inteiros com frequência, pode ser hora de repensar como está construindo o referencial teórico, tema que aparece com detalhe no guia sobre estrutura da tese de doutorado, onde a lógica de organização das seções fica mais clara.
Supressão, inserção e destaque dentro da citação
Às vezes você precisa cortar uma parte do trecho original porque ela não é relevante pro seu argumento, ou precisa inserir uma palavra que não estava lá pra dar contexto. A ABNT tem regras específicas pra isso, e elas valem tanto pra citação curta quanto pra longa.
Supressão de trecho: usa-se colchetes com reticências, [...], no ponto onde você cortou parte da frase original. Não se usa parênteses, e não se usa apenas reticências sem os colchetes.
Inserção de comentário ou esclarecimento: também vai entre colchetes, sem reticências, indicando que aquela palavra ou expressão não é do autor original, é sua, adicionada pra dar sentido à frase fora do contexto completo.
Destaque de palavras dentro da citação: quando você quer chamar atenção pra um trecho específico dentro da citação, usa-se negrito ou itálico, seguido da expressão “grifo nosso” entre parênteses, logo depois da chamada de autoria. Se o destaque já estava no texto original do autor, a expressão correta é “grifo do autor”.
Esses detalhes pequenos são exatamente o tipo de coisa que separa um trabalho bem revisado de um trabalho que “quase” está certo. A banca não costuma penalizar pesadamente um erro isolado desses, mas a repetição do mesmo deslize em várias citações sinaliza descuido geral com a norma, e isso pesa na avaliação.
Citação curta de fonte secundária
Um caso que gera confusão constante é quando você quer citar um autor que você não leu diretamente, mas encontrou citado dentro do texto de outro autor. Isso se chama citação de fonte secundária, ou “apud”, e a ABNT trata isso de forma específica.
A estrutura muda: você indica o autor original, a expressão “apud” (que significa “citado por”), e o autor da obra que você efetivamente consultou.
Segundo Silva (1998 apud Souza, 2015, p. 22), “o processo de revisão é contínuo.”
O ideal, sempre que possível, é buscar a fonte original e citar diretamente dela, evitando o apud. Mas quando isso não é viável (a obra original é rara, está esgotada, é de difícil acesso), o apud é aceito, desde que usado com moderação. Um trabalho cheio de “apud” sugere que a pesquisa não foi direto às fontes primárias, e isso é um ponto que orientadores costumam questionar na qualificação.
Repetição de citação e o uso de “idem” e “ibidem”
Quando você cita o mesmo autor duas vezes seguidas, sem intercalar outra referência entre as duas citações, existe uma convenção mais antiga que usava “idem” (mesmo autor) e “ibidem” (mesma obra). Essa convenção ainda aparece em trabalhos de área jurídica e algumas humanidades, mas a tendência das edições mais recentes da norma é simplificar, repetindo a referência completa ou usando o sistema autor-data de forma direta a cada citação.
Se a sua área ou seu programa de pós-graduação ainda usa idem e ibidem, vale confirmar com o manual de normalização da própria instituição, porque a interpretação varia. Na dúvida, repetir a referência completa nunca está errado, mesmo que pareça redundante.
Essa é uma diferença importante entre citação curta e outros formatos de referência no corpo do texto: aqui você lida com regras que mudam de instituição pra instituição em detalhes finos, mesmo que a base da NBR 10520 seja a mesma pra todo mundo. Isso também é verdade pra citação direta em geral, onde a mesma lógica de precisão se aplica com ainda mais rigor.
O erro que aparece com mais frequência
Depois de revisar centenas de trabalhos, o erro que mais volta em citação curta não é técnico, é estrutural: o pesquisador transcreve o trecho, coloca a referência corretamente, e não faz nada com a citação depois. A frase fica solta, sem análise, sem conexão com o argumento que vem antes ou depois.
Citação curta bem usada tem três movimentos: você contextualiza por que está citando aquele autor naquele ponto, transcreve o trecho com a formatação correta, e comenta o que aquele trecho significa dentro do seu argumento. Sem o terceiro movimento, a citação funciona como enfeite, não como evidência.
É por isso que revisar formatação sozinha nunca é suficiente. Você pode ter todas as aspas certas, todas as páginas indicadas, e ainda assim entregar um capítulo que parece uma colagem de trechos de outros autores em vez de um argumento seu, construído com apoio da literatura. A norma cuida da forma. O raciocínio por trás de cada citação é trabalho seu, e é isso que a banca de fato avalia quando lê um referencial teórico inteiro.
Formatação correta não substitui argumento. Mas argumento sem formatação correta também perde força, porque a banca gasta energia corrigindo detalhe técnico em vez de discutir o conteúdo. Vale fazer as duas coisas bem, e a citação curta, apesar de parecer um detalhe menor no conjunto do trabalho, é onde esse cuidado fica mais visível linha por linha.
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Perguntas frequentes
Quantas linhas uma citação pode ter pra ser considerada curta na ABNT?
Preciso usar aspas na citação curta mesmo se ela já estiver em itálico?
Posso citar dois autores diferentes na mesma frase usando citação curta?
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